segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

INTERTEXTO

Não sou homossexual, não sou negro, não sou favelado, não dependo de programa de renda mínima, não sou ateu, apenas concordo com tudo que Brecht já havia dito há 80 anos, pois o mundo (em especial o Brasil) caminha para um lugar que muito me assusta onde as pessoas se acham superiores as outras e ainda por cima se acham no direito de impor sua religiosidade, ideologia ou opinião. Sempre defenderei a igualdade de direitos e deveres. Sempre acreditarei num mundo melhor, apesar do esforço dessas pessoas em me fazer pensar o contrário. Por um mundo LIVRE, ONDE TODAS AS INDIVIDUALIDADES SERÃO R E S P E I T A D A S :


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

I Sarau da Associação de Moradores da Vila Rica na sexta, 24 de Fevereiro às 19:00


Caros amigos,

Nessa sexta se realizará o primeiro sarau da Associação de Moradores da Vila Rica (Rua João batista de Lima, 47 - próximo à EMEF Roquette Pinto). Venha, participe, traga sua música, sua poesia, sua performance, enfim sua arte ou apenas venha assistir os artistas da região se expressarem...

Até lá, gostaria muito de te ver lá...

I Sarau da Associação de Moradores da Vila Rica
sexta, 24 de Fevereiro às 19:00

Toda última sexta do mês, na Associação,nos encontraremos para nos expressar, cantar, recitar, interpretar, reler a vida com muita arte e diversão. Traga sua música, sua poesia, sua perfoemnce, sua arte efim e se expresse



Esse será o primeiro de muitos

"Um olho vê, o outro sente" (Paul Klee)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Olhar aquele
Que tanto chovia
Sempre tristesse
ESSE POEMA PARTICIPOU DA EXPOSIÇÃO "HOMENS APAIXONADOS" em suas 5a e 6a. edição (9º SALIMP - Salão do Livro de Imperatriz-MA em Junho/2011 e no CDC Tide Setubal em Outubro de 2011)

Nanda que nana
e que emana
chama e exclama
Insana a mente sana
na demente demanda
da luta estranha
da vitória que ama
a mente humana
do espírito, me chama
por favor me ama
Nanda, sufixo de Fernanda
que te clamo, me chama
insana a mente que me sana.


(originalmente escrito em 16/06/2003 às 9h17min)
ESSE POEMA PARTICIPOU DA EXPOSIÇÃO "HOMENS APAIXONADOS" em suas 5a e 6a. edição (9º SALIMP - Salão do Livro de Imperatriz-MA em Junho/2011 e no CDC Tide Setubal em Outubro de 2011)

Linda pele clara
jeitosa e delicada
meigo sorriso
de uma alegria gostosa

Troca seu olhar
com meus negros
tristes olhos
timidamente a te cortejar

Belo presente de Apolo
já seguiu seu rumo
já não vejo mais
com seus belos olhos azuis

Incompetente
eu sou em saber viver
Incompetente
mais uma vez sem você

Incompetente
apenas para dizer que te amo
Incompetente
eu nunca serei feliz

Mais uma vez
você se foi
Levou em sua altivez
Toda minha inspiração

Enclausurado
apenas um tímido
se escondendo
no seu medo de ser feliz

Incompetente
me perco procurando
Incompetente
você dentro de mim

Incompetente
eu não sei dizer
Incompetente
para dizer que te amo, te amo, te amo.


(escrito originalmente em 08/04/2008 às 18h48min)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O caso do Al-Ahly - Tristeza e reflexão

O caso do Al-Ahly - Tristeza e reflexão

Como sempre, tudo o que ocorre no âmbito da violência urbana é tratado aqui de forma rasa e superficial e sem nenhuma análise que leve ao porque das grandes tragédias humanas e sim a exploração da violência para atingir índices de audiência, de acesso ou cópias, ou seja, dinheiro.

Essa semana o mundo viu uma daquelas tragédias que últimas três décadas do século passado se costumou a ver na Europa e dezenas de mortos numa briga de torcida como no fatídico Liverpool x Juventus na Taça (atual Liga) dos Campeões da Europa onde morreram dezenas de pessoas ou um jogo do Liverpool no campeonato inglês no final dos anos 1980 cuja torcida morreu esmagada no alambrado após o estouro de uma bomba. A partir desse fato, a Inglaterra passou a numerar os lugares e a abolir os alambrados dos estádios, ou seja, foi a primeira atitude (não uma consequência, como se divulga por aqui) foi tratar as pessoas como gente e não como animais perigosos, que não se enquadrou (continuou violento sem o estímulo do desrespeito) foi punido individualmente. Infelizmente na Inglaterra esse foi o pano de fundo para a demonização do hooliganismo e o nascimento do hoje chamado futebol moderno (eu chamaria de futebol financeiro) onde os valores são todos convertidos imediatamente em valores monetários e valores como ideologia, paixão, integração coletiva, inconsciente coletivo, amor são todos traduzidos em cifras milionárias. O torcedor dá lugar ao espectador que paga caro pelo seu serviço e luxo. O pobre está fora dos estádios. Tudo é dinheiro e quem não tem está fora do jogo. Nomes de times que já foram gigantes de outrora sumiram nesse novo modelo de futebol (Bahia, Leeds, Aston Vila, Fiorentina, Sampdoria, entre muitos outros pelo mundo). Novos grandes times surgem todo ano na Inglaterra, basta um mafioso russo comprar um time e passar a lavar dinheiro nele, ou seja, com a justificativa de banir a violência dos estádios, passou-se a a aceitar o dinheiro sujo roubado de milhões de europeus do leste. Vinte anos depois esse mesmo processo se consolida no Brasil também.

Essa clara consciência de classes não é compartilhada infelizmente pela massa de torcedores. Nada como uma nova taça para calar os ímpetos ideológicos de uma torcida. O dinheiro contrata os melhores jogadores e em pouco tempo passa a liderar suas ligas (a tendência é acabar os campeonatos e nascer as ligas). Como é estranho ver o Milan, aquele clube das brigadas rossoneras de resistência ao fascismo e a ditadura dos anos 1970 (sim, isso infelizmente não é uma lembrança apenas nossa não) hoje pertence (sim ele é o dono, é propriedade privada) a um mafioso italiano conhecido pela perseguição implacável aos oposicionistas e pelo incontável números de ações que responde na justiça e que com seu poder, impede-os de prosseguir, apesar da variedade que vai de lavagem de dinheiro, peculato, sonegação, homicídios, perseguições e até exploração sexual, esse último que o derrubou do poder na Itália (sim, ele é a mistura de Sarney com Maluf deles e é sempre reeleito e só agora largou o osso após uma nova saraivada de denúncias contra o Berlusconi). Ou pior ainda, ver o torcedor do Corinthians se gabar que tem o maior faturamento, o maior patrocínio, os maiores salários, as maiores cotas de televisão, ou seja, o clube que tem no seu estatuto e na sua frase de fundação o dever de ser “do povo para o povo”, hoje convenceu seus fãs de que isso também é mensurável e traduzido em dinheiro. O dinheiro manda, os ideais pouco a pouco morrem. Ou assim eles querem, por bem ou por mal.

O futebol sempre foi o que foi não apenas pelo esporte em si, mas todo o entorno que ele o gera. Sempre agregou multidões e as elites que haviam criado ele no entorno da muralhas da acadêmia teve que se render a popularização do mesmo e profissionalizá-lo nos anos 1920 e 1930 no mundo todo (permitindo que o pobre, sem meios de produção pudesse jogar o esporte, vendendo dua força de trabalho exclusivamente ao futebol). Antes, havia uma assumida divisão de classes e raciais. Quem não fosse da raça e da classe dominante não jogava as ligas principais e surge a várzea. Os pobres passam a jogar nos campos de várzea dos grandes rios (Tietê, Reno, Tâmisa, etc). Os times de várzea foram incomodando e todos tiveram que aceitar a presença de pobres nos times e de times feitos por operários que se demonstravam, cada vez mais fortes. O Corinthians, quando aceito na liga principal de São Paulo, no segundo ano foi campeão invicto. O Corinthians e o Vasco, foram no Brasil os primeiros times a aceitarem negros em seus quadros. Essa consciência ideológica e de classe sempre foi uma característica das agremiações de futebol. Ainda hoje temos times como o Zenith (de extrema direita que em 2012 ainda não aceita negros no time), o Livorno (time da segunda divisão da Itália, de extrema esquerda, comunista até no estatuto), Saint Pauli (time da segunda divisão alemã, também de esquerda que só aceita operários alemães), a Lazio (torcida fascista que se saúda até hoje com a saudação de Mussolini, confesso torcedor do clube), o Barcelona (que se mantém num sistema de cooperativa que gere um banco, esse banco sustenta o clube que tem como padrão até o esquema tático do time. Até poucos anos o estatuto do time catalão proibia patrocínios em seu uniforme. Sempre foi o foco da resistência da cultura catalã contra as imposições de Madrid e foi base da resistência anti-Franco. Hoje por ironia é a base da seleção espanhola atual campeã do mundo), o Atheltic Bilbao (só aceita jogadores bascos), o Schälke 04 (é o time do povo da Alemanha, dono da maior torcida, não ganha o título nacional há 50 anos. Tem na sua história a mancha de ter sido o time “oficial” do nazismo, que por “coincidência” foi eneacampeão alemão durante o Terceiro Reich), o Chivas (time de maior torcida no México (provavelmente a maior do mundo), por causa do discurso nacionalista e só aceitar jogadores mexicanos) e também o Al Alhy (motivo desse artigo, time nacionalista egípcio (a tradução do nome seria “O Nacionalista”) e foi sempre um agitador político com sua gigante torcida e participou ativamente dos momentos políticos mais conturbados da história recente egípcia como sua declaração de independência e as guerras contra Israel, nessas chegando ao ponto de militarizar seus funcionários e literalmente transformar o clube em um regimento. Sua torcida organizada foi o principal agente multiplicador da Revolução da Praça Tahir, ano passado que ficou internacionalmente conhecida pelas redes sociais Facebook e Twitter.(voltaremos nisso mais a frente, afinal é o gatilho desse artigo)) ou o já citado Corinthians (que tem um histórico recente de grandes conquistas (últimos 22 anos), mas um largo histórico de representação social, de minerva da população sofrida, aquele que é o modelo para aquele que tem que lutar para viver e graças a isso, teve seu maior crescimento durante o período sem títulos (1955 a 1977) e sempre se posicionou pelo lado popular, em especial pela Democracia Corinthiana, movimento onde o clube decidia tudo pelo voto direto e flexibilizou as relações internas, tudo isso dentro da Ditadura Militar) e possui a maior torcida organizada do país que possui diversas relações com movimentos sociais que também possui um claro estatuto de esquerda.

As torcidas organizadas (Brasil), os barra-bravas (América Latina), ultras (Europa e norte da África) e hooligans (países britânicos) se diferenciam pelos seus modos de torcer e se organizar, mas geralmente possuem clara orientação ideológica, geralmente extremista e que devido as rivalidades e brigas de torcida aprendem (criam know-how) a se organizar em conflitos coletivos e em especial, com as polícias. Os conflitos entre torcidas são ocasionados de duas formas: um primeiro conflito pequeno que tem efeito bola de neve, pois ninguém aceita apanhar por último ou uma raiz ideológica tão ou até mais forte que a rivalidade esportiva em si. Passa a ser um conflito por territórios urbanos e ideais de transformação da sociedade que geralmente se chocam (conflitos muito violentos correm em jogos do Milan ou Livorno contra a Lazio, nas divisões inferiores da Inglaterra, entre Celtics e Rangers (divergência religiosa), Saint Pauli x Bayern Munique (divergência de classes). No Brasil acontece conflitos entre torcidas, em especial as organizadas geralmente por uma rivalidade histórica entre os clubes ou pelo efeito bola de neve já descrito, como ocorre por exemplo entre Corinthians e Vasco, dois times de tradições similares mas que tem encontros muito violentos entre seus seguidores, quase sempre com alguém morrendo). Uma grande diferença do Brasil em relação ao restante do mundo são o tamanho das organizações de torcedores. Uma “ultra” dificilmente passa de 500 torcedores enquanto uma grande torcida organizada brasileira dificilmente tem menos de dezenas de milhares de associados. Não há controle e geralmente a formação ideológica fica negligenciada e o individuo aprende na “pista” a ideologia que geralmente se torna “violência por violência”, com pouca ou quase nenhuma consciência ideológica ou do porque está agredindo aquela outra pessoa. Vejo esforços contra isso em diversas torcidas organizadas que apresentam pautas ideológicas bem definidas, palestras e seminários, mas não conseguem passar isso para sua base, invariavelmente bem alienada. Em alguns casos nem de futebol direito essa base entende, quiçá sociologia e política. As lideranças dessas organizações participam de movimentos sociais, partidários, passeatas, levam faixas e bandeiras com mensagens políticas ao estádio, mas sempre fica restrito ao núcleo pensante dos coletivos.

Como no caso dos ultras e dos hooligans a distância entre a liderança e base é bem menor e a seleção é mais rígida (geralmente o cara passa dias, até meses convivendo diariamente com a estrutura do coletivo e só entra realmente se concordar com tudo que aquele coletivo defende). Isso cria uma unidade ideológica muito maior e consequentemente uma participação realmente mais ativa nos movimentos sociais e políticos de seu país. Isso também leva a um endurecimento e a uma intolerância maior. Os conflitos de torcida na Europa são realmente muito violentos, apesar de maioria dos casos os países possuírem bons programas e aparelhos de repressão à violência. As elites de todo o mundo sabem da força dessas organizações, da disciplina, do conhecimento de guerrilha urbana e suas unidades ideológicas. A estrutura da Gaviões da Fiel, por exemplo, foi pensada como um partido político, isso em pleno auge da ditadura militar brasileira. Rapidamente esse modelo se espalhou no Brasil. Agora eles querem o futebol de volta para eles e ao invés de proibições como no começo do século passado usam a tática oposta, o liberalismo econômico, transformando o futebol numa selva financeira onde os mais fortes (leia-se mais ricos) devoram os mais fracos (leia-se mais pobres) e transformou o jogo em um espetáculo de entretenimento para a classe media e alta e num programa de televisão (que decide até a hora do evento) para o restante da população. Acabou as gerais, as arquibancadas aos poucos estão acabando e já custam preços de cadeiras. Porque isso? Porque eles sabem o poder que o futebol tem no coração, na alma e nos ideais do povo.

Agora voltemos a nossa semana atual. Voltemos ao Egito. País que faz parte dos nossos imaginários por causa de um povo que nem existe mais que construiu obras que a nossa engenharia ainda não consegue explicar. Posteriormente esse estado passou por múltiplas invasões (romanos, otomanos, ingleses, fez parte do império islâmico, etc). Se tornou um país de maioria árabe e assumiu a estrutura do império islâmico após a independência em 1922, se tornou uma república (anos 1950), porém, como no Brasil, a proclamação da República egípcia foi um golpe para as elites religiosas e políticas se perpetuarem no poder. Um ditador genocida se perpetuou por décadas no poder (Mubarak). A população se revolta e resolve tirá-lo do poder usando novos meios de comunicação (redes sociais) e velhas táticas de manifestação, leia-se ocupar as ruas (mais especificamente a Praça Tahir no centro da capital Cairo) e protestar. Claro que um ditador com décadas no poder não ia “largar o osso” tão fácil e reprime o movimento com muita violência (muitos mortos, prisões, ataques com armas letais, etc). Aquele povo seria facilmente dizimado se não fosse (em grande parte) a colaboração de um dos grupos líderes do protesto, a AFC Ultras, a ultra do Al-ahly que ensinou táticas de guerrilha urbana aos manifestantes e organizou os confrontos com a polícia e o exército com linhas de frente e retaguardas usando seu know-how de brigas com a polícia. A resistência daqueles protestos fez com que o governo ordenasse um endurecimento (ou seja, agir com muito mais violência). A polícia se recusou e passou a apoiar o movimento. Logo o ditador cai e uma junta militar (aqueles mesmos que estavam atacando a a população) assumem o poder.

Para não perder o costume, a sempre classista grande mídia não divulgou a participação dos ultras nesse momento histórico. Mas a elite militar egípcia pode esconder, mas não esquecer. Essa semana durante uma invasão de campo aparentemente pacífica devido a vitória do Al-Mashr por 3x1 no Ahly após um longo período de “fila” virou um genocídio contra a torcida dos nacionalistas e bem na frente das inertes forças de segurança e com o estádio com os portões trancados por cadeados. A maioria das pessoas morreram esfaqueadas e pisoteadas tentando fugir daquele massacre. A aparente banalidade (porque começar a briga ao invadir o campo para comemorar uma histórica vitória por uma torcida que nem é tão conhecida pela violência) e a “ausência” de ação da polícia (cadeado trancado, nenhuma tentativa de dispersão da confusão e pouquíssimas prisões). Sim, aparentemente foi uma emboscada de vingança da elite governante egípcia (o governador local logo renunciou) que viu seu ataque sair pela culatra. Já que a população egípcia não esqueceu o ano passado e não é burra. Entendeu o recado, mas reagiu diferente do esperado. Gigantes protestos voltaram a ocupar a praça Tahir. Aumentou a pressão pelo fim da junta militar e por eleições para presidente. As torcidas de outros times menos politizados entraram nas manifestações (inclusive a própria torcida do Mashr). Já houve mais mortes.

Fica a tristeza pela falta de ética dos governantes egípcios e pela morte de dezenas de pessoas por pura vingança. Fica também a tristeza pela redução disso a uma “mera” briga de torcidas. Mas por outro lado, renasce a esperança de o futebol não se tornar mais um negócio de entretenimento e continuar sendo uma arte que aglomera e emociona bilhões de pessoas no mundo e pode (e deve) mudar os rumos da história. Descansem em paz, bravos guerreiros porque sua luta, que se depender de nós, nunca se acabará... Tahir é aqui...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

SÓCRATES MUITO MAIS QUE ÍDOLO, UMA REFERÊNCIA

Demorei, mas o inevitável ocorreu: eu escrever sobre Sócrates...

Nesse momento até quem não suporta futebol sabe da morte do doutor, souberam da sua obra, da seleção de 1982, dos títulos no Corinthians, sua formação em medicina, suas posições, a democracia corinthiana, enfim... Já bastante se falou sobre isso e eu vou falar sobre nada disso, ou melhor sobre tudo isso...

Nascido em Belém, cresceu em Ribeirão Preto, começou sua carreira profissional aos 24 anos, pois mesmo sendo o gênio da bola que todo mundo já sabia, fez questão de concluir o curso de Medicina, logo se destacou no Botafogo e o Corinthians e São Paulo se interessaram por ele. O Corinthians na época um clube relativamente pobre não conseguiria entrar em leilão com o São Paulo, então Vicente Matheus manda um diretor do Corinthians negociar um zagueiro do São Paulo meia boca e enquanto isso, Vicente Matheus acertava os detalhes do contrato de Sócrates e em 1978, Sócrates chega ao time do povo e já no ano seguinte, é campeão paulista. Seu futebol vistoso, imprevisível e inteligente encanta o mundo e joga as Copas de 82 e 86, nas mágicas e derrotadas seleções de Telê, que provaram que vitória não é tudo no futebol, pois falamos ainda delas, mesmo já tendo conquistado três copas antes e duas depois delas, que mostraram ao mundo o "puro futebol arte". Aliás transceder taças, vitórias e o próprio futebol foi a grande marca na carreira de Sócrates... Ele mostrou que há muito mais coisas no futebol entre a bola e a trave do imaginava a nossa vã filosofia (o que dirar do discurso de "futebol ópio do povo" presente até hoje em muitos cegos radicais que ignoram qualquer noção de inconsciente coletivo ao falar de um esporte praticado em todos os países do mundo e que na maioria dele move milhões de apaixonados em torno dessa pelaja e sim, modifica rumos históricos do seu país (pesquisar Dynamo da Polônia, Al-Alhy do Egito, Livorno e Milan na Itália, Barcelona na Espanha entre outros exemplos do futebol influenciando diretamente na história política do país; portanto torna o rito todo tão (ou mais) importante quanto o esporte em si)...

Os corinthianos sempre se orgulharam de sua origem popular, na várzea do Bom Retiro, do time de todos, sem restrições raciais ou de classe, muito usuais no futebol da época, rapidamente se transformando no representante de todos que chegavam aqui em casa, fundado por militantes anarquistas (assim como o Palmeiras também, inclusive alguns são as mesmas pessoas, daí é atribuído o início da histórica rivalidade). O primeiro time campeão da Liga principal reservada a elite econômica, oriundo das classes populares. Capaz de mobilizar uma multidão que varia de artistas, intelectuais, analfabetos, milionários e favelados para causas que iam muito além do futebol, como financiar a reconstrução do partido comunista (em parceria com o arquirrival verde que historicamente está mais para irmãos que não se suportam mas quando precisam, sempre se ajudam...), se posicionar contra o racismo, o primeiro time formado em sistema de cooperativa onde todos ajudavam e ganhavam juntos, construir um estádio em multirão (Lenheiro, anos 1930)... O time que ficou mais de duas décadas sem ganhar e teve um crescimento exponencial da sua torcida (fenômeno similar ao Schälke na Alemanha que não ganha o alemão há 50 anos e ainda possui a maior torcida, justamente pela sua identificação com a classe trabalhadora). Justamente em 1977, quando o Corinthians sagra-se campeão depois de 23 anos e quebra o tabu, Sócrates se destaca no Botafogo de Ribeirão Preto. Esse momento marca a grande consolidação da história sociológica do Corinthians. O Corinthians, consolidado como time do povo, em êxtase pela miração do título inalcansável, com uma torcida organizada com estrutura e ideologia de esquerda (Gaviões da Fiel) casa-se com aquele que será seu líder dentro do campo, fora dele e nos livros de história...


Em 1981 o Brasil estava há 16 anos em uma violenta ditadura militar bancada pela política estadunidense (o mundo estava dividido em dois na época: comunistas, representados pela União Soviética (junção de 17 países comunistas liderados pela Rússia) e capitalistas, esses seguindo os prefeitos dos EUAN. Na época, o eixo sul do mundo estava em extrema pobreza e os países que tivessem qualquer tendência a combater isso, tinham seus exércitos cooptados pela CIA a derrubarem seus comandos e instaurarem ditaduras militares que violentamente combatiam a ameça do comunismo (na época aumentar o salário mínimo já era "comunismo" para essa linha ideológica). O desgate entre a violenta repressão, o fim do milagre econômico (recessão após anos de falso crescimento econômico para alegrar a classe media) e a consequente crise econômica, as relevações da brutalidade da repressão do regime (morte de Herzog por suícidio se "enforcando ajoelhado") geravam um cenário onde começa a se pipocar os pedidos de Democracia e desmilitarização do poder. Começa a campanha pelas eleições diretas no Brasil. Mas o Brasil possuia duas gerações de nascidos sem ouvir falar desses termos...

Já no Corinthians, a falta de organização e planejamento faz o time ficar mal colocado no Campeonato Paulista e ter de disputar a Taça de Prata do campeonato Brasileiro (espécie de segunda divisão). Essa crise faz com que a diretoria fosse demitida e nomes como Adilson Monteiro, sociólogo e Waldemar Perez assumem a direção do Corinthians. Jogadores politizados e inteligentes como Wladimir e Sócrates sugerem uma mudança brutal no sistema de comando do clube e liderando os jogadores e funcionários decidem que TODAS as decisões serão por voto direto e unitário, ou seja, o voto do roupeiro tinha o mesmo valor do voto de Sócrates ou do presidente. A partir dái nasce a famigerada DEMOCRACIA CORINTHIANA... Movimento democrático dentro de um clube de futebol (geralmente um meio muito conservador e até reacionário) numa época onde ninguém sabia o que era democracia na prática. Isso ensinou o país a votar, se posicionar e teve uma importância brutal na formação do país naquela época. O clube, comandado pelo jogador/técnico Zé Maria chega na Taça de Ouro. Nos anos seguintes ganha o bi-campeonato paulista e chega nas semifinais do Brasileiro, sempre decidindo em voto as suas decisões como por exemplo se concentrar ou não, beber ou não antes da partida, esquemas de jogo e de logística e tudo mais... Sócrates se destaca pela comemoração "Pantera Negra" (cabeça baixa e braço estendido que nasce como um protesto à torcida e se torna sua marca e uma explícita referência ao movimento popular estadunidense), pela comunicação com a torcida através de bandanas com mensagens como "Democracia", "Diretas Já", etc. E as faixas que o Corinthians entrava em campo com faixas como "Vencer ou Perder, mas com Democracia". A Gaviões da Fiel adere ao movimento com a faixa na arquibancada "Anistia Geral, Ampla e Irrestrita", consegue apoio também da Torcida Jovem do Santos, afinal isso era muito superior a qualquer questão clubística...

Em 1984 com a ajuda de grupos de rock e da Democracia Corinthiana e evidente devido a conjuntura o país ferve pedindo Eleições Diretas para Presidente, as Diretas Já move todo o país, com milhões de pessoas protestando e Sócrates no comício da Praça da Sé fala sobre suas propostas do exterior (da Fiorentina da Itália) e diz como forma de mobilizar os torcedores corinthianos nessa luta: "Se as Eleições Diretas passarem, eu fico!" Mas não passou... E ele por questão de honra teve de ir para a Itália. O Brasil só teria eleições diretas em 1989... Ele voltou um ano depois a ainda jogou novamente no Corinthians, no Santos e no Flamengo e se aposentou como jogador... A Democracia Corinthiana acaba com a aposentadoria de Zé Maria e Wladimir, a saída de Sócrates e Casagrande e a mudança na presidência corinthiana, voltando o centralizador Vicente Matheus. Durou pouco, mas a semente ficou plantada. O uso do futebol como força-motriz para modificar questões humanas e políticas e ir muito "além de ser ou não ser o primeiro", como diria a música-hino da Democracia Corinthiana composta por Toquinho... Consolidou a posição do Corinthians como time popular na sua essência e não apenas na quantidade de torcedores. Consolidou Sócrates como símbolo de um futebol inteligente e politizado.

Após isso, se especializa em medicina esportiva, tornou-se comentarista de programas esportivos, consolida-se como agitador político e cultural, torna-se compositor e uma referência a todas as pessoas que vem no futebol algo muito maior que uma bola e 22 pessoas chutando-a. Mostrou que futebol é cultura, futebol é arte, futebol é política, futebol é e faz parte da vida... Mostrou que era de uma espiritualidade única ao dizer que não queria luto quando morresse, por isso queria morrer num dia de domingo, quando o Corinthians fosse campeão, isso em 1983. Após 28 anos, seu desejo é realizado e você caro doutor, imortalizado. Hoje morre um ídolo e nasce um mito, de verdade (não como o futebol as vezes costuma banalizar). Uma referência, como diria o hino, "eternamente em nossos corações"....

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

GRAVIDADE Colorida

por Solano Trindade

Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

200 anos de Franz Liszt: um gênio que merece ser reavaliado

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,15479692,00.html (clique no título para o link original)

Franz Liszt (1811-1886)
Apreciação da obra do compositor teuto-húngaro é perturbada por seu papel de popstar, peculiaridades biográficas e preconceitos históricos. Bicentenário é bom motivo para se escutar essa música negligenciada.

Num dia de outono, 22 de outubro de 1811, nasceu Franz Liszt num lugarejo chamado Raiding, na época pertencente à Hungria e hoje parte da região austríaca de Burgenland. Àquela altura, ninguém podia sequer sonhar que o franzino bebê se tornaria um dos grandes nomes da música do século 19.


Manuscrito de canção de Schubert adaptada por Liszt

A ascendência do pai de Liszt era alemã, a da mãe, húngara. E, como sempre acontece com as figuras importantes da história, cada uma das nações implicadas insiste em reclamá-lo para si. Assim, não é de espantar que a singela casa onde o músico nasceu ostente duas placas, uma em húngaro, afixada pela Associação de Literatura e Arte de Ödenburg, e outra em alemão, com os dizeres: "O povo alemão dedica esta placa ao mestre alemão".

O pequeno Franz era tudo, menos uma criança-prodígio. Porém seu ambicioso pai, que também praticava música, treinou o compositor na seguinte direção: ele tinha que se tornar um precoce pianista virtuose, custasse o que custasse.

"É fantástico que o pai de Franz Liszt se sentisse como um segundo Leopold Mozart", comenta Noke Wagner, bisneta do compositor e diretora geral do festival de artes Pèlerinages, de Weimar, realizado todos os anos sob a égide lisztiana. "Através de sua carreira, o filho devia compensar todas as frustrações que o próprio pai vivera. Por outro lado, admiro o quanto ele investiu. Embora Franz fosse uma criança frágil, ele cumpriu todas as determinações impostas pelo pai."

Paz em Weimar

Como pianista, Franz Liszt conquistou a Europa. Ao lado do "violinista do diabo", Niccolò Paganini, ele foi o primeiro "popstar", no sentido moderno do termo, com direito a romances escandalosos, excessos alcoólicos e plateias histéricas.

Liszt era um cosmopolita, figura de âmbito europeu. Era também um viajante compulsivo, sempre transitando entre Paris e Roma, Budapeste e Weimar, nunca realmente em casa e sempre pronto a partir. Só descansou de verdade em Weimar: durante os anos em que lá residiu. A cidade do Leste alemão vivenciou sua segunda época áurea, depois de Johann Wolfgang Goethe.

Lá, o virtuose dedicou-se com intensidade crescente à composição. Como disse certa vez, ele queria projetar a lança de sua arte bem longe no futuro. E foi o que fez. No entanto, sua música visionária foi muitas vezes mal entendida, tanto por seus contemporâneos como pela posteridade.


Salão de música dos Liszt em Weimar

Prosperidade não é para os gênios

Dois fatos talvez constituam contribuindo para não se julgar com justiça o mérito de Liszt como compositor: ele ter sido bastante abastado em vida e ter gozado de fama inabalada. Pois os alemães gostam que seus gênios sejam os mais pobres e injustiçados possível.

No ano em que transcorre o bicentenário de seu nascimento (e, pouco antes, os 125 anos de sua morte), ouvem-se com frequência as histórias do Don Juan que se fez ordenar abade, do virtuoso que hipnotizava as massas com sua alucinante execução pianística, mas que no fim terminou solitário e infeliz.

E, mais uma vez, quem sai perdendo é a música lisztiana. Excetuados alguns sucessos de sempre – como o Sonho de amor e as Rapsódias húngaras, o bis virtuosístico La campanella, ou o tema do poema sinfônico Les préludes, instrumentalizado pelos nazistas como jingle para suas notícias de guerra – a obra do compositor Liszt permanece um continente inexplorado.

Um dos fatores determinantes dessa negligência é a crítica musical – sobretudo a alemã – que desprezou suas composições, tachando-as de superficiais, virtuosismo vazio, prestidigitação circense, incapazes de se afirmar ao lado dos verdadeiros e profundos valores da música germânica. Esta encontrava representante digno antes na solidez sinfônica de um Johannes Brahms, ou na mítica wagneriana, afirmavam os críticos – jamais num Liszt, cosmopolita e transgressor de fronteiras artísticas.

Amizade tortuosa


Cosima, filha de Liszt, esposa de Wagner

Costuma-se também ler que teria sido a longa sombra de Wagner, ou o "longo braço de Bayreuth", que impediu o reconhecimento de Liszt como compositor. O que há de verdade nessa afirmação?

O primeiro encontro entre os dois titãs deu-se em 1840 na capital francesa, durante uma recepção no hotel do celebrado pianista. Wagner revela ter-se "entediado seriamente". A conversa sobre música terminou rápido e sem grande efeito, e o compositor alemão não levou consigo "qualquer outra impressão, além da de anestesia".

Oito anos mais tarde, é a vez de Liszt visitar Wagner em Dresden. Ambos discorrem sobre arte, e agora é Wagner que cada vez mais quer falar sobre dinheiro. Liszt se transforma numa de suas fontes financeiras preferidas, ajudando em tudo que pode.

Em 1857, Richard Wagner redige um ensaio sobre os poemas sinfônicos de Liszt, que ele defende da acusação de "falta de forma". E afirma a superioridade do novo gênero diante da sinfonia tradicional, já que a literarização do repertório instrumental é o que abriria os portais para a música do futuro.

"E aqui jaz o segredo e a dificuldade, cuja solução só poderia caber a um homem eleito, altamente talentoso, o qual, além de músico completo, deve ser um poeta atento". Não há dúvida a quem Wagner se referia, declarando assim Liszt seu próprio precursor.


Liszt no ano de sua morte, 1886, retratado por Henry J. Thaddeus

Ouvir para julgar

O colega tão lisonjeado bateu-se ativamente pela aceitação de Wagner. Entre outras iniciativas, em 1850 Liszt regeu a estreia de Lohengrin, na qualidade de mestre de capela da corte de Weimar. Vale lembrar que, na época, Richard Wagner era procurado pela polícia alemã devido a sua participação na Revolução de 1848.

Porém quando o mestre da ópera inicia um relacionamento com Cosima, sua filha casada, a amizade entre os músicos sofre um abalo. Liszt coloca-se do lado do marido, o regente Hans von Bülow. Por fim, em 1867, os dois compositores esclarecem o assunto numa conversa. Três anos depois, estariam reconciliados como genro e sogro.

Por mais que Wagner o irritasse como pessoa, a lealdade de Franz Liszt ao colega compositor permaneceu intocada. Embora, por sua vez, o autor de Tristão e Isolda não tivesse a menor empatia com a árida "música do futuro" da última fase lisztiana. Mas isso tampouco o torna responsável pelo ostracismo a que a posteridade relegou à obra de seu protetor e mecenas.

O melhor método para uma reavaliação dessa música é escutar o Liszt desconhecido. Suas últimas peças para piano, por exemplo, deixam qualquer um de queixo caído.

Autoria: Holger Noltze / Augusto Valente
Revisão: Márcio Pessôa

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Leonardo Boff: Crise terminal do capitalismo - Pravda.Ru

Leonardo Boff: Crise terminal do capitalismo - Pravda.Ru

Leonardo Boff: Crise terminal do capitalismo
29.06.2011

Leonardo Boff - Teólogo, filósofo e escritor

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados" que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: "não é crise, é ladroagem". Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

[Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-cuidar da vida: como evitar o fim do mundo, Record 2010]

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O MITO DO TORCEDOR VIOLENTO

Por Irlan Simões, 02.08.2011

Em maio de 2010, após intensas discussões entre o poder público, a Polícia Militar e presidentes de clubes, o estado de Sergipe tornou-se pioneiro em um processo que avança sobre o futebol brasileiro: a criminalização das torcidas organizadas (ou T.O.s). Uma mestranda do núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, Klecia Renata de Oliveira Batista, animou-se a avaliar tal fenômeno.

Durante dois anos, a mestranda sergipana acompanhou o funcionamento interno da torcida Trovão Azul, adepta do Confiança, interessada em estudar a violência no meio. Intitulado “Entre torcer e ser banido, vamos nos (re)organizar: um estudo psicanalítico da torcida Trovão Azul”, a tese tornou-se um documento inédito sobre a criminalização das torcidas organizadas a partir da realidade sergipana. “Foi um processo fundamental para o meu trabalho, justamente quando eu estava tentando mapear a pressão que a torcida vinha enfrentando no momento”, afirma Klecia.

Defendido em 27 de maio último, o trabalho de Klecia aponta: a “modernização” do futebol brasileiro visa na verdade adequar o jogo aos interesses do mercado; ela está sendo imposta mesmo que as transformações custem a perda dos valores culturais embutidos no futebol. “O que se vê hoje é a torcida organizada enquadrando-se ao que alguns historiadores chamam de torcidas-empresa, rendendo-se a uma lógica organizada pelo capital”, afirma a pesquisadora.

O Estado como protagonista

Visando explicar o fenômeno, a mestranda recorreu ao referencial psicanalítico de Sigmund Freud. Ela sugere que, na busca de uma adequação dos estádios e do jogo ao que se entende pelo “ideal da ordem, limpeza e beleza da Modernidade”. Justifica assim as medidas punitivas que têm sido tomadas contra as torcidas organizadas.

Segundo a pesquisadora, estes coletivos cumpriam papel de resistência a esse processo. “Hoje, não há mais margem de sobreviver no futebol fora desse padrão de “modernidade”. Dessa realidade, a única coisa que tinha sobrado eram as torcidas, que agora também estão sendo ameaçadas”, afirma. Para ela, a violência no futebol não se restringe às torcidas organizadas. Na realidade, a violência é própria da vida do homem em sociedade e as torcidas constituem, no âmbito futebolístico, um microespaço no qual essa violência se torna presente.

“O novo Estatuto do Torcedor é o carro-chefe desse processo de modernização”, afirma Klecia Renata, questionando o papel que o projeto aplicado pelo ministério dos Esportes vem cumprindo. Para ela, a lei sancionada em 2010 é responsável pelas ameaças de banimento, proibição da entrada nos estádios, venda de materiais padronizados e criminalização dos torcedores organizados. Ainda segundo a pesquisadora, a reorganização das T.Os tem gerado elitização de seu corpo de integrantes, uma vez que a concepção de que o torcedor mais pobre é o causador da violência é o que tem imperado no senso comum.

Panorama nacional

Além da orientação do professor Eduardo Leal Cunha e da presença de Daniel Menezes Coelho, ambos da UFS, a defesa da dissertação teve como convidado o historiador Bernardo Borges Buarque de Hollanda, doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Faculdade Getúlio Vargas (CPDOC-FGV). Estudioso do assunto há mais de dez anos, Bernardo reforçou, no seu comentário como integrante da banca da defesa da dissertação, a ligação entre o “ideal da ordem e limpeza da Modernidade” e o processo de elitização do público torcedor do futebol, traçando paralelos com os processos ocorridos em outros países, como a Inglaterra.

O pesquisador, que também estudou o histórico das torcidas organizadas no Brasil, lembra que criminalizar os torcedores uniformizados é parte do mesmo projeto que busca excluir o torcedor mais pobre dos estádios. “Isso é uma forma de elitizar o espectador, e essa vai ser a tendência. O “telespectador” vai ser o lugar das classes populares”, afirma. Bernardo justifica sua hipótese mostrando como os estádios têm diminuído, após sucessivas reformas, a sua capacidade de público e aumentado o valor dos ingressos buscando atingir apenas um público consumidor de classe média-alta.

Um aspecto também ressaltado pelo estudioso é a movimentação das torcidas organizadas buscando frear tal processo. No Rio de Janeiro, foi fundada a Federação das Torcidas Organizadas, a Ftorj, enquanto no âmbito nacional a Confederação das Torcidas Organizadas (Conatorg) dá os primeiros passos. “É sempre muito difícil uma representação das torcidas organizadas porque existem muitos conflitos internos e entre elas. Mas já é um sinal de que há um avanço, uma possibilidade de declamar direitos. Não apenas deveres, como querem os dirigentes”, afirma.

Quando questionado sobre como o senso comum brasileiro tem apoiado tal processo de modernização, Bernardo é enfático: “É muito desigual essa transmissão de mensagens”. Para ele há grande dificuldade em explicar como esse processo vai excluir os próprios torcedores que aprovam tais medidas.

O avanço do processo de criminalização

Em 13 de junho de 2011, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acionou as torcidas organizadas para uma audiência pública. Estavam presentes representantes de 36 torcidas, do ministério do Esporte, da Polícia Militar, da secretaria de Estado de Esporte e Lazer, da superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) e da Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (Ftorj).

Todos os convidados tiveram de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que operacionaliza o Estatuto do Torcedor. Entre as exigências, estão a proibição de diversos artigos, como bandeiras, faixas, e materiais que possivelmente ocasionariam o ferimento dos presentes no estádio e a penalização da Torcida Organizada em caso de descumprimento de algumas normas por parte de algum dos seus integrantes.

Ao fim da Audiência, Flávio Martins, presidente da Ftorj, lamentou que apenas as torcidas organizadas fossem responsabilizadas pelo esvaziamento dos estádios. “Muito se fala da violência promovida pelas torcidas, mas nunca se questiona a condição do transporte público que tem sido disponibilizado, nem o valor dos ingressos e nem o horário dos jogos”, afirmou.

(*) Matéria publicada originalmente no Outras Palavras, do Le Monde Diplomatique Brasil.

domingo, 7 de agosto de 2011

Cirandar - Gravação do DVD


Finalmente chegou a hora: a gravação do DVD do espetáculo. Compareçam, será muito importante para nós a sua presença...

VAMOS TODOS CIRANDAR

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Cirandar no CEU Navegantes

Cirandar agora no CEU Navegantes dia 3107 às 16h
http://catracalivre.folha.uol.com.br/2011/07/cirandar-3/

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Manifesto

Manifesto


TRABALHADORES DA CULTURA, É HORA DE PERDER A PACIÊNCIA!

CULTURA JÁ!
MANIFESTO
CONTATO

Manifesto dos Trabalhadores da Cultura
Trabalhadores da Cultura, é hora de perder a paciência!

O Movimento de trabalhadores da cultura quer tornar pública sua indignação e recusa ao tratamento que vem sendo dado à cultura deste país, aprofundando e reafirmando as posições defendidas desde 1999, no Movimento Arte Contra Bárbarie. A arte é um elemento insubstituível para um país por registrar, difundir e refletir o imaginário de seu povo. Cultura é prioridade de estado, por fundamentar o exercício crítico do ser humano na construção de uma sociedade mais justa.

A produção artística vive uma situação de estrangulamento que é resultado da mercantilização imposta à cultura e à sociedade brasileiras. O estado prioriza o capital e os governos municipais, estaduais e federal teimam em privatizar a cultura, a saúde e a educação. É esse discurso que confunde uma política para a agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação com transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda usado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações. Por meio da renúncia fiscal – em leis como a Lei Rouanet – os governos transferem a administração de dinheiro público destinado à produção cultural, para as mãos das empresas. Dinheiro público utilizado para interesses privados. Esta política não amplia o acesso aos bens culturais e principalmente não garante a produção continuada de projetos culturais.

Em 2011 a cultura sofreu mais um ataque: um corte de 2/3 de sua verba anual (de 0,2% foi para 0,06% do orçamento geral da União) em um momento de prosperidade da economia brasileira. Esta regressão implicou na suspensão de todos os editais federais de incentivo à Cultura no país, num processo claro de destruição das poucas conquistas da categoria. Enquanto isso, a renúncia fiscal da Lei Rouanet, não sofreu qualquer alteração apesar de inúmeras críticas de toda a sociedade.
Trabalhadores da Cultura, é HORA DE PERDER A PACIÊNCIA: Exigimos dinheiro público para arte pública!

Arte pública é aquela financiada por dinheiro público, oferecida gratuitamente, acessível a amplas camadas da população – arte feita para o povo.

Arte pública é aquela que oferece condições para que qualquer cidadão possa escolhê-la como seu ofício e, escolhendo-a, possa viver dela – arte feita pelo povo.

Por uma arte pública tanto nós, trabalhadores da cultura, como toda a população tem seu direito ao acesso irrestrito aos bens culturais, exigimos programas – e não um programa único – estabelecidos em leis com orçamentos próprios, que estruturem uma política cultural contínua e independente – como é o caso do Prêmio Teatro Brasileiro, um modelo de lei proposto pela categoria após mais de 10 anos de discussões.

Por uma arte pública exigimos Fundos de Cultura, também estabelecidos em lei, com regras e orçamentos próprios a serem obedecidos pelos governos e executados por meio de editais públicos, reelaborados constantemente com a participação da sociedade e não apenas nos gabinetes.

Por uma arte pública, exigimos a imediata votação da PEC 236, que prevê a cultura como direito social, e também imediata votação da PEC 150, que garante que 2% do orçamento da União seja destinado à Cultura, nos padrões propostos pela ONU, para que assim tenhamos recursos que possibilitem o tratamento merecido à cultura brasileira.

Por uma arte pública, exigimos a imediata publicação dos editais de incentivo cultural que foram suspensos e o descontingenciamento imediato da já pequena verba destinada à Cultura. Por uma arte pública, exigimos o fim da política de privatizações e sucateamentos dos equipamentos culturais, o fim das leis de renúncia fiscal, o fim da burocratização dos espaços públicos e das contínuas repressões e proibições que os trabalhadores da cultura têm diariamente sofrido em sua luta pela sobrevivência. Por uma arte pública queremos ter representatividade dentro das comissões dos editais, ter representatividade nas decisões e deliberações sobre a cultura, que estão nas mãos dos interesses do mercado. Por uma arte pública, hoje nos dirigimos à Senhora Presidenta da República, ao Senhor Ministro da Fazenda e às Senhoras Ministras do Planejamento e Casa Civil, já que o Ministério da Cultura, devido a seu baixo orçamento encontra-se moribundo e impotente.

Exigimos a criação de uma política pública e não mercantil de cultura, uma política de Estado, que não pode se restringir às ações e oscilações dos governos de plantão. O Movimento de Trabalhadores da Cultura chama toda a população a se unir a nós nesta luta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cirandar



Cirandar, ciranda: o que vem a mente? Sim, é isso mesmo! Dar as mãos,
fazer uma roda e cantar. O projeto Cirandar esmiuça uma pesquisa sobre
esse tema de larga tradição oral e gerou um espetáculo
cujo o objetivo é claro e de conhecimento de todos:
“Vamos todos CIRANDAR!”

O Coletivo Fadosolrelamisi convida todos para o
Espetáculo, agora contemplado pelo VAI-2011, que une
Música, Dança, Teatro e Literatura de Cordel
falando sobre a dança portuguesa que se espalhou pelo Brasil

Agenda (Todos as apresentações são gratuitas)
16/07/2011 – Associação de Moradores de Vila Rica - 19h
(Rua João Batista de Lima, 47 – Vila Rica – Próximo a EMEF Roquette Pinto)
17/07/2011 – CEU Inácio Monteiro - 16h
(Rua Barão Barroso do Amazonas, s/nº - COHAB Inácio Monteiro)
31/07/2011 – CEU Navegantes - 16h
(Rua Maria Moassab Barbour, s/nº - Parque Residencial Cocaia)
14/08/2011 – CEU Sapopemba (Gravação do DVD do Espetáculo) - 16h
(Rua Manuel Quirino de Mattos, s/nº - Jardim Sapopemba)
28/08/2011 – Associação de Moradores de Vila Rica - 15h
(Lançamento do DVD, mediante convite)
(Rua João Batista de Lima, 47 – Vila Rica – Próximo a EMEF Roquette Pinto)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

BREVE HISTÓRIA DA MÚSICA ATRAVÉS DO CANTO


BREVE HISTÓRIA DA MÚSICA ATRAVÉS DO CANTO no CORTINAS LYRICAS
Local: Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520, Bexiga. Tel: 11. 3106-2818).
Data: Sábado, 2 de Julho de 2011.
Horário: Meio-dia. Horário da bilheteria: Uma hora antes de cada sessão.
Ingresso: R$ 1,00.
Indicação etária: Livre.

BREVE HISTÓRIA DA MÚSICA ATRAVÉS DO CANTO


Venham ver esse espetáculo onde será brevemente repassado os principais momentos históricos da música ocidental partindo da música de origem hebraica e da música grega até a música contemporânea.
O repertório da música de concerto ocidental é muito vasto, mesmo quando restrito a música vocal. Há uma gama de repertório imensa, especialmente nos últimos 500 anos da música erudita de origem europeia. Nossa música e cultura erudita em geral descende da música religiosa judaico cristã e da cultura erudita grega, sendo assim, todo o nosso conhecimento registrado não foge dessas origens.
Posteriormente a música europeia registrada segue as escolas nomencladas geralmente como: medieval, renascimento, barroco, classicismo, romantismo, modernismo até o contemporâneo, música de nossa época, sendo essas obras por terem registro em partituras e gravações, mais usualmente executadas e assim chegando ao nossos tempos.
Cada época narrada será demonstrada no espetáculo com uma peça desse período. A peça contemporânea terá sua estreia mundial nesse espetáculo, sendo que a mesma foi especialmente composta para ele. Serão executadas peças anônimas gregas, hebraicas, medievais e peças dos compositores Dowland, Haendel, Mozart, Verdi, Schumann, Wagner, Villa-Lobos e Ricas.


Ficha-técnica:
Piano, Direção Musical e Preparação Vocal: Vera Platt
Direção cênica: Antonio Revuelta, Iara Campello e Luiz F. Ricas
Roteiro, Pesquisa Histórica e Narração: Luiz F. Ricas
Soprano: Iara Campello
Tenor: Cássio Oliveira
Barítono: Rodrigo Garcia
Piano e Preparação Vocal: Vera Platt
Figurino: Milton Fucci


PROGRAMA
1. Narração: Prováveis origens do canto, música antiga, especialmente a música hebraica.
2. Peça: "Tehilim 150" (Salmo 150) para coro
3. Narração: cultura grega, cultura pagã e sua música
4. Peça: Ditirambo sobre o fragmento de um coral de Orfeu de Euripídice "Katholophuromai, Katholophuromai" para flautas doces adaptadas ("aulo") e tenor
5. Peça: Primeiro Hino Délfico à Apolo (anônimo atheniense) "Keklhuth Helikona" para piano ("harpa") e tenor
6. Narração: Música cristã e Idade Média
7. Peça: "Ave Maria" (Canto Gregoriano) para coro
8. Narração: Renascença, sua música e a revolução palestrinica e motetos
9. Peça: "Flow My Tears" - John Dowland para tenor e piano
10. Narração: Período barroco e a música atual
11. Peça: "The people that walked in darkness have seen a great light" da cantata Messias de G. Haendel
Intervalo
12. Narração: Burguesia, Classicismo e a ópera
13. Peça: Dueto "La Ci Daren la Mano" da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart para barítono, soprano e piano
14. Narração: Romantismo
15. Peça: Lied "Morgens steh' ich auf und frage" de R. Schumann para barítono e piano
16. Peça: Romanze "O du mein holder Abendltern" da Ópera Tannhauser de R. Wagner com redução para piano de Franz Liszt para barítono e piano
17. Peça: "La Donna è Mobille" da Ópera Rigotello de G. Verdi para tenor e piano
18. Narração: Século XX e a ruptura: modernismo
19. Peça: "Lundu da Marquesa de Santos" modinha de H. Villa­-Lobos para soprano e piano do livro Modinhas e canções, Album 1 (1935-43)
20. Narração: Contemporaneidade e a tecnologia
21. Peça: "Considerações dodecafônicas para soprano, piano e eletroacústica" de Luiz F. Ricas.

HISTÓRICO DO COLETIVO K O P

Esse grupo começa a surgir entre alunos do curso de Educação Artística com Habilitação em Música da Faculdade Paulista de Artes (FPA) e cujos interesses se convergiam: música erudita e popular, artes integradas e teatro. O núcleo Luiz F. Ricas, Rodrigo Garcia, Iara Campello e Israel Ludovico que faziam parte da mesma turma e Viviane Vivolo pertencia a turma anterior. Com isso, diversas audições do repertório erudito e de performance foram feitas por esse núcleo na FPA entre 2008 e 2010, com repertório passando por compositores como Palestrina, Bach, Mozart, Schubert, Schumann, anônimos medievais e composições próprias com linguagem contemporânea, fora uma Performance baseada em Lygia Clark realizada na própria faculdade. O interesse em comum gerou uma grande amizade e um enorme interesse profissional e estético mútuo.
Em 2010, juntamente com o ator Antonio Revuelta e a professora mestra Patrícia Crepaldi, Iara Campello fundou a produtora Kikiza Ópera Pop, na qual o seu nome já orientava os interesses estéticos dos fundadores e atrelados: cultura popular, erudita e folclórica. Com a conclusão do cursos dos citados, a saída da faculdade de Patrícia Crepaldi e os interesses estéticos, artísticos e de linguagens em comum: Antonio, Iara e Luiz fundaram o coletivo KOP que nesse início de 2011 já começa em intensa atividade. Estão sendo elaborados nesse momento três peças teatrais (o infanto-juvenil “Trio em La Menor” baseado num conto de Machado de Assis, o infantil “É Proibido Miar”, baseado no livro de Pedro Bernardes, em fase de adaptação de roteiro e o adulto “100 anos de Multidão”, em fase de captação de recursos), além do recital narrado “Breve História do Canto” O Breve História do Canto integra a programação de julho (dia 2) da série “Cortinas Lyricas do Oficina”.
O coletivo tem como foco de trabalho a difusão cultural, especialmente em teatro escola e teatro empresa, utilizando da realidade do público alvo e também o trabalho artístico como fim, onde a única preocupação dos trabalhos dessa linha do grupo é a expressão artística e a busca por uma linguagem e sensibilidade estética como fim do trabalho almejado, onde os trabalhos serão permeados pela busca e pesquisa de uma linguagem expressiva própria através do rompimentos de “dogmas” artísticos e o anseio criativo em si.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

TEXTO SOBRE ARTE CONTEMPORÃNEA PARA A EXOSIÇÃO DA SAMARA COSTA QUE SE ENCERRA ESSA SEMANA

ARTE CONTEMPORÂNEA

"A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, não é copiar sua aparência." ( Aristóteles ).

"Um olho vê, o outro sente." (Paul Klee).

"Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver." (Bertold Brecht).

"Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma."
(George Bernard Shaw).

“A obra de Arte é a criação das formas simbólicas do sentimento humano” ("Art is the creation of forms symbolic of human feeling") (Susanne Langer)

As citações acima foram feitas por pessoas que viveram e pensaram desde o século III antes de Cristo até o século passado. Em comum entre elas, fora o tema: a arte, elas tem o poder de definir o pensamento da Arte de nossos tempos, mais usualmente chamada de Arte Contemporânea. Há mais de um século a arte não tem a intenção de retratar formas bonitinhas, agradáveis, simétricas, mas sim, como disse Langer, dar forma ao sentimento humano. Desde o final do século retrasado, mas principalmente no século XX, todos os paradigmas, formatos, materiais e buscas de todas as artes (não apenas as visuais, mas fenômeno similar acontece em todas as áreas da expressão humana).
Não busquemos entender, o sentimento não se entende, se sente. Busque aqui nessa exposição, rara em bairros periféricos, o encontro do seu sentir, do sentido da visão em sua alma, em seu coração, em sua cabeça, em suma: no seu equilíbrio. Aproveite para conhecer suas sensações mais profundas, muito além de uma bela imagem, uma música agradável ou um rosto bonito, algo que está dentro de você, muito abaixo da superfície que querem que acreditemos que é o máximo que podemos chegar. Uma maçã pode ser muito bonita, mas apenas depois de mordermos ela (destruindo sua forma bela e natural) que sentimos seu gosto e à aproveitamos realmente. Assim é a arte. Saboreie sem nenhuma moderação!

quarta-feira, 30 de março de 2011

1a. EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DA HISTÓRIA DA VILA RICA

Fragmentos de uma trajetória

SAMARA COSTA

Exposição retrospectiva da obra de Samara Costa, artista visual contemporânea nascida e criada na Vila Rica. Essa será a primeira (de muitas) exposição de Arte Contemporânea na Vila Rica na história do bairro,


de 02 de Abril de 2011 à 30 de Abril de 2011

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO BAIRRO DE VILA RICA

Rua João Batista de Lima, 47 – Vila Rica (próximo à EMEF Roquete Pinto)


Entrada Franca


Curadoria: Luiz F. Ricas e Samara Costa

Apoio: Bia Moreno (Presidente da Associação de Moradores do Bairro de Vila Rica) e Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011